Panamá: a holding em dólar e a fundação que organiza a herança da sua família

Você construiu um patrimônio. Agora, quer tirar uma parte do real, guardar em dólar e evitar que a sua família passe anos num inventário caro, com bens travados e herdeiros brigando.

O Panamá resolve as duas coisas no mesmo lugar. A sociedade anônima panamenha é uma holding em dólar, com conta bancária no próprio país. A fundação de interesse privado, criada em 1995, é o instrumento de sucessão mais conhecido da América Latina: os seus bens passam aos herdeiros conforme as regras que você escreveu, sem inventário no Panamá.

E tudo isso a sete horas de voo de São Paulo, em espanhol, num país que usa o dólar desde 1904 e não cobra imposto sobre a renda gerada fora dele. A mesma estrutura ainda pode abrir a porta da residência panamenha para toda a família.

Mas o Panamá não é para todo mundo. Não serve para faturar online e não reduz o imposto de quem continua morando no Brasil. Neste artigo, você vai ver quando ele vale a pena, como funciona cada estrutura e quanto custa.

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Por que o Panamá

  • Tributação territorial: o Panamá só tributa a renda de fonte panamenha. Uma sociedade que investe e fatura fora do país não paga imposto de renda lá e não retém imposto ao distribuir esses lucros.
  • Taxa anual baixa e fixa: US$ 300 por ano para a sociedade anônima e US$ 400 para a fundação, sem imposto sobre o patrimônio.
  • Dólar e sem controle de câmbio: o dinheiro entra e sai livremente.
  • Conta no próprio país: o Panamá é o maior centro bancário da América Central. A sua sociedade pode ter conta em dólar em um banco panamenho, com cartões e transferências locais. Isso é raro no mundo offshore.
  • Lei testada: a lei das sociedades anônimas é de 1927. Quase um século de prática deu a bancos e tribunais muita familiaridade com a estrutura.
  • Rapidez: a sociedade é inscrita no Registro Público em cerca de três dias úteis, e tudo é feito à distância.
  • Perto do Brasil: duas horas atrás de Brasília, com voos diretos da Copa Airlines para várias capitais brasileiras.
  • Situação internacional melhorando: o país saiu da lista cinza do GAFI em 2023 e, em outubro de 2026, saiu da lista negra da União Europeia, passando para a lista de acompanhamento.

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A sociedade anônima: a holding para investir e fazer negócios

A sociedade anônima (S.A.) é a estrutura padrão do Panamá. Ela tem donos, os acionistas, que podem vender as ações, dar em garantia e deixar de herança.

Como funciona:

  • Acionistas fora do registro público: o nome dos acionistas não aparece no Registro Público, e a transferência de ações não é registrada publicamente.
  • Diretoria de três pessoas: a lei exige pelo menos três diretores e três dignatários (presidente, secretário e tesoureiro). Podem ser você e pessoas da sua confiança, de qualquer país. Esses nomes, sim, aparecem no Registro Público.
  • Sem capital mínimo e com classes de ações: ações com e sem voto e com direitos econômicos diferentes, úteis para organizar a sucessão.
  • Assembleias fora do Panamá e por meios eletrônicos.

Para que serve na prática:

  • Holding de investimentos: ações, ETFs, títulos e contas em dólar, no Panamá e no mundo.
  • Dona de imóveis no exterior e de participações em outras empresas.
  • Comércio internacional: uma sociedade que compra da China e vende para a Argentina e o Chile, sem a mercadoria passar pelo Panamá, não paga imposto panamenho sobre esse lucro.
  • Dona de uma LLC em Wyoming: a LLC fatura com Stripe e gateways, e a sociedade panamenha guarda o lucro acumulado, separado do risco da operação.
  • Base da residência: a sociedade pode ser dona do depósito ou do imóvel que dá a residência panamenha.

Existe também a sociedade de responsabilidade limitada (S. de R.L.), com quotas. Ela tem um ponto fraco: o nome dos sócios aparece no Registro Público. Por isso, quase nunca é usada como holding patrimonial.

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A fundação de interesse privado: a herança fora do inventário

A fundação é o grande diferencial do Panamá. Ela é uma pessoa jurídica sem dono. Você, o fundador, transfere bens para ela, e ela beneficia as pessoas que você indicou.

Como funciona:

  • Patrimônio separado: os bens da fundação só respondem por dívidas da própria fundação. Os credores do fundador só podem atacar transferências feitas em fraude, e apenas em até três anos.
  • Conselho e protetor: a fundação é administrada por um conselho de pelo menos três pessoas, ou uma pessoa jurídica. Você pode ter um protetor, que fiscaliza o conselho, aprova distribuições e pode trocar conselheiros.
  • Regulamento privado: o ato fundacional é público, mas o regulamento, onde ficam os beneficiários e as regras de distribuição, não é. Quem viola o sigilo da fundação responde com prisão e multa de US$ 50 mil.
  • Patrimônio inicial mínimo de US$ 10 mil.
  • Herança sem inventário: quando você falece, o conselho simplesmente segue as regras do regulamento. Não há processo judicial no Panamá.

O desenho mais usado é a fundação no topo, dona de uma ou mais sociedades anônimas, que têm as contas, os investimentos e os imóveis.

Veja um exemplo. Um empresário de 62 anos tem US$ 3 milhões investidos no exterior e três filhos. Ele cria uma fundação com um conselho de três pessoas e se nomeia protetor, com poder de aprovar investimentos e distribuições, mas sem poder de revogar a fundação. A fundação é dona de uma sociedade anônima com a carteira. Em vida, ele recebe uma renda anual. Depois da sua morte, os três filhos recebem em partes iguais, os netos recebem só para educação e saúde até os 25 anos, e os benefícios ficam protegidos em caso de divórcio dos filhos.

Dois cuidados que fazem toda a diferença:

  • Governança real: tribunais de outros países desconsideram a fundação quando o fundador pode revogá-la, decide tudo e é o único beneficiário. A proteção exige um conselho que funcione de verdade.
  • A legítima brasileira: a lei panamenha diz que as regras de herança de outros países não podem ser opostas à fundação. Mas, se você mora no Brasil, um herdeiro prejudicado pode buscar compensação nos bens daqui. A recomendação é respeitar a legítima e usar a fundação para a forma, o momento e a proteção das distribuições.

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Privacidade, sim. Anonimato, não.

A estrutura panamenha é privada perante o público, os concorrentes e os curiosos. Não é anônima perante bancos e autoridades.

  • Desde 2020, o agente residente inscreve o beneficiário final em um registro privado do governo, consultado apenas pelas autoridades.
  • Todo ano, até 30 de abril, a sociedade entrega os seus registros contábeis ao agente residente.
  • Os bancos identificam quem está por trás da estrutura, e as contas são informadas pelo CRS ao país de residência fiscal de cada beneficiário. O Brasil recebe essas informações.

Descuido custa caro. Em 2026, o governo panamenho iniciou a dissolução de mais de 290 mil pessoas jurídicas com taxas atrasadas ou direitos suspensos. Com a Empresa Fora, a manutenção anual cuida da taxa única, do agente residente, da entrega da contabilidade e do beneficiário final.

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Impostos: no Panamá e no Brasil

No Panamá: a sociedade sem licença de operação e com renda só de fonte estrangeira não paga imposto de renda e não retém imposto ao distribuir os lucros.

No Brasil, se você continua morando aqui: o Panamá está na lista brasileira de paraísos fiscais. Por isso, pela Lei 14.754/2023, o lucro da sociedade é tributado todo ano a 15%, mesmo sem distribuição, qualquer que seja a atividade. Se a sociedade só tem investimentos financeiros, você pode optar pelo regime transparente e pagar 15% apenas sobre os rendimentos realizados.

Exemplo: uma sociedade com US$ 500 mil em ações e ETFs recebe US$ 15 mil de dividendos e realiza US$ 10 mil de ganhos com vendas. No regime transparente, o imposto é de US$ 3.750, e a valorização ainda não vendida não paga nada. A escolha é irrevogável e deve ser feita com um contador.

A fundação precisa de um cuidado extra: o tratamento dela no Brasil depende de como ela foi montada, e, a partir de 2027, as transferências à fundação podem pagar ITCMD, conforme a lei de cada estado.

Se você faz a saída fiscal e passa a morar fora: a sociedade deixa de ser tributada no Brasil, e os lucros, dividendos e ganhos gerados fora do Brasil passam a ter imposto zero, de forma legal. Mudando para o Panamá, você também não paga imposto panamenho sobre a renda de fonte estrangeira.

Um detalhe que pouca gente conta: quem mora no Panamá e continua recebendo renda do Brasil paga mais na fonte. Juros, royalties, serviços e ganhos de capital no Brasil sofrem 25%, por o Panamá ser paraíso fiscal para a Receita. Os dividendos de empresas brasileiras sofrem 10%, como para qualquer não residente. Por isso, muitos clientes fazem a residência fiscal no Paraguai, que não está nessa lista, e mantêm a holding no Panamá.

Em qualquer caso, a estrutura é declarada. Nada fica escondido da Receita Federal.

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Bancos e contas

A conta é o que mais diferencia o Panamá. E é também a etapa que mais exige preparo.

  • Bancos panamenhos: o Banco General, o maior banco privado do país e dono do Yappy, o Pix panamenho; o Towerbank, que opera desde 1971 e tem parceria com a Empresa Fora; e o Global Bank. Estão entre os mais rigorosos do mundo: costumam pedir entrevista, muitas vezes presencial, referências bancárias e um perfil detalhado das movimentações. A abertura leva de duas a oito semanas.
  • Fintechs: a OneSafe, que cita o Panamá entre as jurisdições atendidas, combina dólar, euro, reais com Pix e stablecoins, e tem parceria com a Empresa Fora; e a Slash Global USD, também parceira. Airwallex, Mercury e Revolut Business não aceitam sociedades panamenhas.
  • Para investir: a Interactive Brokers, com análise individual do cadastro.
  • Para vender online: a Stripe e o Shopify Payments não atendem o Panamá. A solução é uma LLC em Wyoming como empresa operacional, que pode pertencer à sociedade panamenha.

A ordem certa é escolher os bancos antes de constituir a sociedade, já com o dossiê bancário pronto e a origem dos recursos documentada. Em todos os casos, a decisão de abrir a conta é do banco.

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Para quem o Panamá é, e para quem não é

O Panamá é a escolha certa para:

  • A família com patrimônio a partir de cerca de US$ 500 mil que quer uma holding com banco em dólar, a sucessão organizada e, se quiser, a residência para todos no mesmo país.
  • Quem quer uma fundação para passar o patrimônio adiante fora do inventário, em espanhol, perto do Brasil.
  • Quem vai morar no Panamá ou quer comprar um imóvel lá.
  • O empresário de comércio exterior que compra da Ásia e vende para a América Latina.
  • Quem já tem a LLC em Wyoming e a residência no Paraguai e quer uma fundação para a sucessão e uma segunda residência como plano B.

O Panamá não é para:

  • Quem quer faturar online com serviços, infoprodutos ou e-commerce: o certo é a LLC em Wyoming.
  • Quem vai continuar morando no Brasil e quer pagar menos imposto: a estrutura não reduz o imposto de quem mora aqui.
  • Quem tem pouco patrimônio, quem opera principalmente com criptoativos ou quem já tem dívidas e processos.

E as alternativas: para a holding patrimonial com bancos privados de primeira linha, as Bahamas são equivalentes, e o Panamá ganha quando você também quer a residência. Para a blindagem máxima contra processos, Névis. Para fundos e investidores, as Ilhas Cayman.

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Planos, custos e prazos

A Empresa Fora constitui e mantém a sua estrutura com um escritório de advocacia parceiro no Panamá, que atua como agente residente, e acompanha você em português.

  • Plano Essencial: US$ 3.900 no primeiro ano (de US$ 5.000). São US$ 2.900 do registro e US$ 1.000 do pacto social e dos estatutos feitos sob medida para o seu caso, com as regras de administração, classes de ações, entrada e saída de sócios e sucessão das ações. Inclui a constituição com escritura pública e inscrição no Registro Público, o agente residente e o endereço legal por 12 meses, a taxa única do primeiro ano, o registro do beneficiário final, o atendimento com IA, o guia de boas práticas fiscais e o acesso à plataforma.
  • Plano Operacional: US$ 5.990 no primeiro ano (de US$ 10.000). Tudo do Plano Essencial, mais a estrutura de holding patrimonial e sucessória, o apostilamento dos documentos da sociedade para uso em bancos de outros países, o apoio na abertura das contas no Panamá ou em outros países, com o dossiê bancário, uma ligação com um contador especializado e o Grupo VIP no WhatsApp por 12 meses.
  • Plano Personalizado: para a família com patrimônio elevado. Pode incluir a fundação de interesse privado no topo da estrutura, estruturas em várias camadas, como a LLC em Wyoming, a residência no Panamá para a família e a saída fiscal do Brasil. O diretor nominativo, para que o seu nome não apareça no Registro Público, existe apenas aqui, por US$ 3.000. O preço é definido depois de um diagnóstico.

Prazos: a análise de identidade e de origem dos recursos (KYC) leva de 1 a 6 semanas. Depois dela, a inscrição no Registro Público sai em cerca de três dias úteis.

A partir do segundo ano, a renovação custa US$ 2.900 por ano, com a taxa única do governo, o agente residente, o endereço legal, a entrega dos registros contábeis e a atualização do beneficiário final.

Dá para pagar por etapas: US$ 2.900 pelo registro, US$ 1.000 pelo pacto social e, no Plano Operacional, US$ 2.090 pelos documentos extras e pelas contas bancárias. Em reais, no Pix com 5% de desconto ou em até 3x sem juros no cartão.

Quer a residência também? O Pacote Residência por Depósito, de US$ 11.780, já inclui o Plano Essencial, a residência provisória do titular e a abertura da conta e do depósito. Os caminhos estão explicados no artigo sobre a residência no Panamá.

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Conclusão: dólar, sucessão e uma porta aberta para morar fora

O Panamá é a jurisdição em que a mesma estrutura guarda o patrimônio em dólar, organiza a sucessão da família e ainda pode dar a residência para todos.

A combinação mais completa é a fundação no topo, a sociedade anônima com a conta e os investimentos, uma LLC em Wyoming para faturar, quando houver operação, e a saída fiscal do Brasil para zerar o imposto sobre a renda do exterior.

Comece pelo passo certo para o seu caso. A Empresa Fora monta tudo à distância, em português, e cuida dos prazos todos os anos.

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E se você precisar de ajuda?

Se ficou alguma dúvida, fale agora com a equipe da Empresa Fora no WhatsApp. Você pode falar com um especialista humano ou com a nossa IA, que responde em segundos.

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